A maternidade para mim parece a felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Eu não tenho consciência o dia inteiro que estou grávida ou simplesmente esqueço de propósito só para lembrar depois. E quando me lembro que estou grávida, assim no meio do dia, é como sentir sede e beber um copo de água: o meu corpo sente um frescor revitalizador.
Agora estou com 16 semanas/ 4 meses de gestação. O meu bebê está com 12 cm e brinca com o cordão umbilical – dizem nos sites especializados. Eu sinto como se tivesse comido muita melancia e minha barriga estivesse cheia de água. Meus órgãos estão boiando lá dentro enquanto o meu bebê brinca de pular corda com meu intestino e faz o meu fígado de almofada. Ninguém tira essa imagem sensação da minha cabeça.
Todos já percebem que a minha barriguinha proeminente é de gravidez e não de excessos. Perguntam sobre o sexo do bebê antes do trivial “tudo bem?”. Respondo “depois do carnaval saberemos”. Certamente alguns suspeitam de superstição. As melhores vendedoras são as dizem “essa roupa você vai usar a gravidez inteira e até depois irá aproveitar” ou “previne estrias e melasma”.
Eu sinto tudo, sinto muito, acho que até estou mais atenta, mas ao me dar conta que há uma criança crescendo dentro de mim passo a orbitar outro universo. Um universo de hipérboles e predicativos; meu autoexílio preferido.
Maternidade 1
Banjokô significa ‘sente-se e fique comigo’
Tenho compreendido tantas coisas sobre a maternidade ultimamente, coisas que nunca havia sequer pensando sobre. Por exemplos os tempos da gestação. Agora entendo porque entre a concepção e a certeza da gravidez demora um tempo, em média, quatro semanas; entre a certeza da gravidez e o nascimento do filho, em média, quarenta semanas; os tempos de cada fase durante os nove meses. Os enjoos próprios do primeiro trimestre. Há muitos tempos a se viver ainda. Sinto que a cada tempo, o movimento de tornar-se mãe está imprimindo características próprias em meu corpo. E quando digo corpo, há mais do que aspectos biológicos a considerar.
Durante o primeiro trimestre eu sentia como se tivessem explodindo fogos de artificio dentro de mim. Acordava me sentindo muito mareada, como se tivesse atravessado o Atlântico numa jangada. Ao longo da manhã ia retomando fôlego, mas depois de almoçar um pouquinho de arroz com frango frito, a pressão logo baixava e o sono chegava com tudo. Eu dormia encostada em qualquer lugar e a não sentia vontade de levantar (até descobrir o açaí). Enfim, foi um período delicado com episódios de vômitos, pressão baixa e muito enjoo (de tudo).
Fevereiro inicia com mais tranquilidade. Agora que eu estou comendo e consigo ficar acordada, passei a pensar em meu bebê. Passo os dias planejando tudo o que precisa ser feito até a sua chegada, listas e mais listas de tarefas, providências, compras etc. Fico pensando ‘será Julia ou Moreno?’, ‘por que não me dá um sinal?’, ‘por que não aparece em meus sonhos?’, ‘será que vai gostar desse bercinho?’, ‘e essa cortina vai combinar com o jeito delx?’. Temos um código: eu chamo “Banjokô!” e assim começamos a conversar. ‘Venha, fique comigo. Eu tenho tantas histórias pra te contar. Tantos lugares que eu vou te apresentar. Talvez, como eu, você goste de refrigerante e sorvete de chocolate, mas eu só vou dar essas coisas pra você experimentar depois dos cinco anos’. Eu tenho pensado que eu e meu filho precisamos mesmo desses nove meses para que eu me torne mãe e vá conformando o meu redor a minha nova condição aos poucos.
Tenho compreendido tantas coisas sobre a maternidade ultimamente, coisas que nunca havia sequer pensando sobre. Por exemplos os tempos da gestação. Agora entendo porque entre a concepção e a certeza da gravidez demora um tempo, em média, quatro semanas; entre a certeza da gravidez e o nascimento do filho, em média, quarenta semanas; os tempos de cada fase durante os nove meses. Os enjoos próprios do primeiro trimestre. Há muitos tempos a se viver ainda. Sinto que a cada tempo, o movimento de tornar-se mãe está imprimindo características próprias em meu corpo. E quando digo corpo, há mais do que aspectos biológicos a considerar.
Durante o primeiro trimestre eu sentia como se tivessem explodindo fogos de artificio dentro de mim. Acordava me sentindo muito mareada, como se tivesse atravessado o Atlântico numa jangada. Ao longo da manhã ia retomando fôlego, mas depois de almoçar um pouquinho de arroz com frango frito, a pressão logo baixava e o sono chegava com tudo. Eu dormia encostada em qualquer lugar e a não sentia vontade de levantar (até descobrir o açaí). Enfim, foi um período delicado com episódios de vômitos, pressão baixa e muito enjoo (de tudo).
Fevereiro inicia com mais tranquilidade. Agora que eu estou comendo e consigo ficar acordada, passei a pensar em meu bebê. Passo os dias planejando tudo o que precisa ser feito até a sua chegada, listas e mais listas de tarefas, providências, compras etc. Fico pensando ‘será Julia ou Moreno?’, ‘por que não me dá um sinal?’, ‘por que não aparece em meus sonhos?’, ‘será que vai gostar desse bercinho?’, ‘e essa cortina vai combinar com o jeito delx?’. Temos um código: eu chamo “Banjokô!” e assim começamos a conversar. ‘Venha, fique comigo. Eu tenho tantas histórias pra te contar. Tantos lugares que eu vou te apresentar. Talvez, como eu, você goste de refrigerante e sorvete de chocolate, mas eu só vou dar essas coisas pra você experimentar depois dos cinco anos’. Eu tenho pensado que eu e meu filho precisamos mesmo desses nove meses para que eu me torne mãe e vá conformando o meu redor a minha nova condição aos poucos.
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