A maternidade para mim parece a felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Eu não tenho consciência o dia inteiro que estou grávida ou simplesmente esqueço de propósito só para lembrar depois. E quando me lembro que estou grávida, assim no meio do dia, é como sentir sede e beber um copo de água: o meu corpo sente um frescor revitalizador.
Agora estou com 16 semanas/ 4 meses de gestação. O meu bebê está com 12 cm e brinca com o cordão umbilical – dizem nos sites especializados. Eu sinto como se tivesse comido muita melancia e minha barriga estivesse cheia de água. Meus órgãos estão boiando lá dentro enquanto o meu bebê brinca de pular corda com meu intestino e faz o meu fígado de almofada. Ninguém tira essa imagem sensação da minha cabeça.
Todos já percebem que a minha barriguinha proeminente é de gravidez e não de excessos. Perguntam sobre o sexo do bebê antes do trivial “tudo bem?”. Respondo “depois do carnaval saberemos”. Certamente alguns suspeitam de superstição. As melhores vendedoras são as dizem “essa roupa você vai usar a gravidez inteira e até depois irá aproveitar” ou “previne estrias e melasma”.
Eu sinto tudo, sinto muito, acho que até estou mais atenta, mas ao me dar conta que há uma criança crescendo dentro de mim passo a orbitar outro universo. Um universo de hipérboles e predicativos; meu autoexílio preferido.
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