Bárbara, grávida de Joaquim (33 semanas/ 8 meses)
Trinta e três semanas. Trin-ta-e-três-se-ma-nas! Oi-to-me-ses!
Trinta e três semanas. Trin-ta-e-três-se-ma-nas! Oi-to-me-ses!
Quando uma mulher grávida me dizia que estava com oito meses eu preferia nem ficar perto porque eu imaginava que o bebê poderia querer nascer ali perto de mim, no momento daquele encontro, alguns minutinhos de dor e choro de bebê (perceberam a minha vasta experiência de acompanhar partos de novelas). Agora eu sinto quase a mesma coisa quando olho no espelho. É assim: eu olho pra minha barriga no espelho e Joaquim se mexe. Meu primeiro pensamento é: é agora. Mas não é. Minha avó já me disse que enquanto ele se mexer não é a hora. Nos dias próximos ao parto ele ficará quietinho. Alívio parcial.
Desde o mês passado passei a sentir as contrações de Braxton Hicks (são contrações de preparação do corpo, sem dor, a barriga fica dura por um tempinho e logo passa). Na primeira vez me apavorei, fui ao médico, fiquei de repouso. Agora eu sinto, respiro e agradeço por essa preparação que será fundamental para a hora do parto.
Na última ultrassonografia vi que Joaquim continua com lábios carnudos, como os meus, e o médico nos mostrou que ele já nascerá cabeludinho. Ele está cada vez mais parecido com aquela criança que eu sonhei em 2013! Não vejo a hora de pegar o meu pequeno no colo e dizer “Seja bem vindo, meu filho, sou eu que vou te acompanhar nessa passagem pelo planeta Terra!”.
Chegando à reta final da gestação, eu olho para trás e sinto que foi um período muito feliz no qual eu estive sempre cercada de gentilezas. Eu ouvi algumas barbaridades, é verdade, mas eu entendo partiam de um lugar onde gravidez/ter um filho é sinônimo de dor. Então me pus a pensar que é preciso ouvir além do texto, o que significou compreender que aquelas palavras duras revelavam preocupação. Pensando dessa maneira, eu criei uma lista curta sobre o que NÃO dizer para uma mulher grávida:
- NÃO contar casos sobre abortos espontâneos de outras mulheres;
- NÃO contar casos traumáticos de pós-abortos espontâneos de outras mulheres;
- NÃO contar casos de mulheres grávidas que descobriram câncer ou outras doenças graves durante a gestação, não importa se os bebês sobreviveram ou não;
- NÃO dizer que o seu bebê está pequeno demais ou grande demais. Essa mulher está sendo acompanhando por umx médicx;
- NÃO dizer que ela anda cansada demais e por isso deve estar com problemas na tireoide, pâncreas, apêndice, fígado, intestino grosso, etc. Essa mulher está sendo acompanhando por umx médicx;
Por fim e não menos importante:
- NÃO dizer que o que a mulher grávida diz sentir é frescura; e se for frescura, qual o problema?
Minha lista é curta porque só inclui nela casos que me chocaram, as demais aporrinhações que dizem as gravidas eu deixo passar e respondo mentalmente. Por exemplo, quando alguém diz “não compre roupas de recém-nascido porque o seu bebê cresce muito rápido, você vai ver, só dura duas semanas”; aí eu respondo mentalmente “e nessas duas semanas eu enrolo o meu filho num lençol?”. É um saco, mas não me choca.
Falando em enxoval, não bastasse a breguice de azul para meninos e rosa para meninas (itens como o ofurô/balde de banho não há no mercado outras opções de cores), há uma infinidade de tons de azul com denominações tão esdrúxulas que eu não tive coragem de comprar. São tons azul marinho premium, monarchy (grafado assim) marinho, realeza marinho, nobreza marinho, classic azul... deve ser trauma de país colonizado.
Mas a marca de ter sido um país colonizado e ter vivido a custa do trabalhado de africanos negros escravizados está mesmo naquela cama de solteiro que fica no quartinho do bebê. Cama auxiliar ou cama para acompanhante me pareciam um nome adequado, só que não. Nas lojas e sites essas camas são chamadas “cama babá auxiliar”. O troféu breguice do enxoval do neném vai para cama da babá.
Está chegando ao fim, falta pouco e sobra ansiedade, o que faz com cada semana seja surpreendente.