Maternidade 5

Bárbara, grávida de Joaquim (29 semanas/ 7 meses e meio)

Esse foi o mês que eu tive as maiores surpresa durante a gravidez. A começar que eu não imaginei que a minha barriga fosse crescer tanto. – Acho que dormi em alguma aula sobre gestação. Não tem aulinha preparatória, né? É isso. – Ela está grande e deve crescer ainda mais. Na última ultrassonografia Joaquim estava com 600 gramas e eu me achando enorme, só agora estou compreendendo que ele precisa engordar, pelo menos, dois quilos para nascer saudável. Ou seja, é impossível se adaptar a esse corpo que muda toda semana.

Quando a grávida começa a se acostumar, aí o corpo muda. Agora os meus passos estão mais lentos, toda a minha movimentação, na verdade; a minha respiração está alta (eu consigo ouvir o entrar e sair de oxigênio e gás carbônico pelas minhas narinas como se estivessem sempre parcialmente entupidas); calçar sapatos não tem sido uma tarefa tão simples, então aderi aos sapatinhos sem cadarços ou feches; e, para ver todas as partes de meu corpo só com a ajuda de um espelho (para citar um detalhe embaraçoso). 

À noite estou sempre bastante cansada. Depois de um dia de trabalho meu corpo pede um pouco de repouso antes de começar a terceira jornada. Sem essa pausa, as aulas de ioga parecem um combo de step + musculação + spinning. Não sei até quando sustento esse ritmo. Parei de dirigir. O cansaço somado a tensão que é dirigir na hora do rush não compensam. Em contrapartida, tenho voltado do trabalho andando para casa. Assim, a rotina acaba assumindo o ritmo que o meu corpo pede. 

Comecei a lavar os paninhos de Jaoquim. Lençóis, fronhas, toalhas, cueiros e mantas estão todos lavados. Com isso, percebi que o meu filho não tem travesseiro. Não faltam muitas coisas, só detalhes, meinhas, babadores, fraldas de pano, paninho disso, paninho daquilo, enfim, detalhes intermináveis. Enquanto o enxoval dele parece estar no fim o meu preciso começar pra ontem. As camisolas, chinelo, cremes, a bolsa que levará tudo para maternidade. Pensar em meu enxoval dá friozinho na barriga.

O friozinho na barriga de medo do parto passa quando o meu bebê mexe. Passa quando o médico que me acompanha além de fazer as perguntas trivais, pergunta também se eu estou passando os cremes corretos para que eu não fique com estrias. Passa quando meu esposo me ajuda a calçar os sapatos todos os dias pela manhã. Passa quando um desconhecido cede a cadeira para mim no ônibus. Passa porque eu sinto carinho vindo de várias direções para mim e para o meu pequeno, é o mundo se adaptando para recebê-lo.

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